Opinião Pablo Kossa

Distúrbios do Prazer: cinema de desconforto

21 de Maio de 2018 Nenhum Comentário

Perturbador. Se fosse para definir o filme Distúrbios do Prazer em uma única palavra, não exitaria em escolher essa. Em vários momentos, o desconforto toma conta do espectador. Não é fácil acompanhar o drama de Nancy Stockwell, a protagonista vivida por Maria Bello.

Assisti ontem a esse filme lançado em 2007. Com direção de Johan Renck, a história trata do drama de uma mulher depressiva, que vive um casamento sem nenhum tipo de emoção. Seu marido (interpretado por Rufus Sewell) se importa mais com o golfe artificial do que com a relação com a esposa. Nesse contexto de desprezo e busca masoquista por prazer e sentido de vida, Nancy se envolve em um caso extraconjugal de essência doentia pela internet.

Algumas cenas são de uma crueza tão intensa que machucam o olhar. Sério. O incômodo é brutal. Definitivamente, não é um filme recomendável para os mais sensíveis.

O ponto de destaque da obra é sua abordagem acerca do comportamento humano. A complexidade do prazer e como ele é construído conforme as experiências particulares de cada um são os alicerces que suportam Distúrbios do Prazer.

Inclusive, aqui cabe debater o nome do filme. No original, em inglês, a obra se chama Downloading Nancy. Muito mais subjetivo do que a tradução para o português. E temos nesse ponto uma questão de gosto: pessoalmente, prefiro títulos mais explícitos, que atingem o ponto nevrálgico da história. Nessa perspectiva, a tradução para nosso idioma acerta o objetivo. Por outro lado, caso seja de sua preferência coisas não literais, o original é mais poético. Fica ao gosto do cliente.

Voltando à história de Nancy, a composição do personagem e a ligação de seus traumas sexuais com a encruzilhada que está seu casamento/vida impressionam. Percebe-se um trabalho profundo de imersão de Maria Bello para a construção da protagonista. Remexer no que de mais obscuro vive em nossa cabeça é para os fortes. A atriz consegue transmitir isso de maneira contundente.

O filme está disponível na plataforma Looke, que eu não conhecia. Fiz meu cadastro no aplicativo e paguei R$ 3,99 no cartão de crédito pelo aluguel, o que achei justo. Caso queira uma obra para reflexão no final de semana, indico Distúrbios de Prazer. Caso queira entretenimento para comer pipoca, estão por aí às pencas os pueris filmes de heróis para sua satisfação.

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