Se aprendi algo com o incrível cinema policial dos anos 1970 é que com chantagista não se negocia. Você nunca vence alguém que lhe coloca a faca no pescoço em troca de algo. Se ele conquistar seu primeiro objetivo, aumentará o pedido. E você, encantoado, vai entregando tudo que tem. Até que, sem ter mais como ceder, o cara passe o fio da navalha em sua jugular.

Esse é o caso da greve/locaute nas estradas brasileiras. Convenhamos, o Governo Federal atendeu tudo e mais um pouco do que foi pedido pelos caminhoneiros. Além de ratear o prejuízo de um setor com todo país. Cada um de nós vai pagar um pouquinho para que os pleitos do pessoal das rodovias sejam cumpridos.

Só que agora, com o doce gosto da humilhação do oponente nos lábios e ódio exalando pelos poros, querem mais. Tirar presidente e, para uma franja radicalizada, a volta do execrável regime militar.

O fim de nossa precária democracia não está na mesa para negociação.

A posição de milícia desses radicais não pode ser aceita. Os caras ameaçam quem quer voltar a trabalhar, impedem postos paulistanos de receber combustível e deixam todos nós como reféns. Estamos sem combustível, sem comida e muita gente sem remédio. Cidadãos de norte a sul estão tomando prejuízos que só serão recuperados em meses. Essa postura é mafiosa. Impossível ser complacente com esses bloqueios criminosos.

Não estou sendo insensível com a reivindicação justa da categoria. A vida de um caminhoneiro nunca foi um mar de rosas e piorou muito nos últimos anos. Exatamente como a de todos os outros brasileiros. A crise é real. Desemprego, carestia e insegurança. E um governo em Brasília no qual você não confiaria nem para dar uma volta no quarteirão com seu cachorro de estimação. Com a irresponsabilidade e sanha egoísta de uma categoria, temos nas mãos todos os elementos para uma tempestade perfeita.

Se o comportamento calhorda de quem quer derrubar o governo em um golpe prevalecer, seria a apoteose do nosso fracasso enquanto Nação.

A verdade é que eles se acostumaram com o tapetão. Temos uma eleição dentro de pouco mais de quatro meses. Deixem o Michel Temer moribundo por lá. Façam suas articulações, convençam a sociedade de seus posicionamentos no argumento e vençam o pleito no voto. Se são tão zelosos da ordem e da hierarquia, façam o favor de respeitar as regras do jogo.

Pablo Kossa é jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG.

2 Comentários

  • João de Sá Mendes disse:

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  • Paola Torneri disse:

    Ah vá! Pablo você é um grande hipócrita! A forma como você estrutura o raciocínio deixando o pontilhiado a ser seguido para sua conclusão é muito desonesta.

    Aborda de forma rasa o tema, dá o tapa, esconde a mão, depois assopra. Aí me dá aquela preguiça de pontuar cada raciocínio, seu post quase beira à Fake News.

    O texto é muito inviezado, com quase só um polo da pauta como pró e uma estrofe dizendo que a greve “é legítima”… tenha dó, minha preguiça em querer argumentar pelo menos é justificada: não recebo para argumentar.

    Meu sentimento é: quero devolta os 5 minutos de vida que gastei lendo isso.

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