Should I stay or shoudl I go? Se Jair Bolsonaro conhecer The Clash, não há mais nada impossível. Tenho mais convicção na vitória do Goiás na Libertadores da América em 2020 do que em algum tipo de conexão entre os punks ingleses e o candidato à presidência da República. Eu deveria ser severamente punido por relacionar Clash e Bolsonaro. Estou aqui ao seu dispor, nobre leitor.

Você se lembra o que é uma biruta? Trata-se daquele equipamento usado para verificar a direção do vento. Normalmente, a gente vê aquele saquinho de plástico sustentado por uma haste em aeroportos. Os portugueses, muito mais literais que nós, chamam de manga de vento. Uma hora a biruta aponta para um lado. A direção do vento se altera, a biruta muda de rumo.

Bolsonaro incorpora a biruta nessas eleições. Um candidato biruta.

Primeiro, disse que vai a todos os debates:

Em um dos primeiros, tomou um enquadro de Marina Silva e ficou nitidamente desnorteado no debate da Rede TV. O presidente do PSL Gustavo Bebianno, partido que emprestou a sigla para a pretensão presidencial de Bolsonaro, disse ao UOL que estava descartada a hipótese de participação nos demais debates. Pegou mal demais. A imagem de covarde e fujão começou a colar naquele que é metido a durão. Com isso, vem Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável, e afirmou que o candidato vai somente aos de grande audiência. Entendeu o comportamento biruta?

Não é a primeira vez que Bolsonaro revê algo que disse. Já falou que tiraria o Brasil da ONU caso fosse eleito. Depois, arrependido da repercussão, disse que cometeu ato falho. Afirmou que anunciaria a lista de todos seus ministros antes da campanha. Mais uma vez, voltou atrás.

Isso mostra um candidato sem norte, que não sabe o que quer. Não tem planejamento. Não possui um projeto para o Brasil. As bravatas são ditas conforme o momento, sem nenhuma reflexão. Inteligência não é o ponto forte de Bolsonaro, não é segredo nem para seus apoiadores. E não há também a tão proclamada bravura ou coragem para sustentar aquilo que foi dito.

Basta um pequeno aperto para que o candidato biruta mude de opinião. Mais sem rumo que um hippie na Rua do Lazer em Pirenópolis. Ao menos esse sabe o que quer: vender umas pulseirinhas para garantir o dia.

Imagine esse candidato biruta alçado à condição de presidente biruta. Melhor nem pensar nisso para não estragar o astral de uma sexta-feira.

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