Até o eleitor mais convicto de Ronaldo Caiado, aquele caiadista da UDR que colou adesivo na caminhonete ainda na campanha presidencial de 1989, concorda que o governador de Goiás começou devagar. A eleição acachapante em primeiro turno aumentou a expectativa para a administração do pefelista raiz. Claro que ainda é cedo, mas, até agora, o governo patina.

A crise dos salários atrasados de dezembro dos servidores é grave. Reverbera no comércio de Goiás. Coloca gente nas garras do SPC e da Serasa. Extermina planos familiares.

Caiado não é ingênuo. Sabe disso. E, se não resolve, deve ser por que não tem dinheiro em caixa mesmo. Experiente como é, não destruiria o orçamento de milhares de servidores públicos por birra política. Seria de uma maldade sem tamanho.

Mas não é porque não tem dinheiro para quitar a folha de dezembro que o governador deve partir para o populismo mais rasteiro como compensação. Acabar com o uso dos radares móveis nas rodovias goianas é brincar com a vida das pessoas. É estimular a imprudência. O banho de sangue nas GOs será a consequência imediata desse ato irresponsável do governador.

O vídeo ( AQUIem que Caiado faz o anúncio da estapafúrdia medida é um equívoco do começo ao fim. O tom triunfante é brega. Os puxa-sacos em volta aplaudindo são grotescos. Coisa de prefeito de corrutela sem relevância, não de governador de Estado.

Todas rodovias têm um limite de velocidade por uma questão óbvia de segurança. Existem engenheiros especialistas em determinar o máximo permitido em cada trecho por conta das variantes de perigo. Visibilidade, aderência, curvas, saída de estradas vicinais… Tudo isso é levado em conta para chegar ao número limite de quilômetros por hora.

Mas Caiado discorda dos técnicos. Ele confia que o motorista sabe mais que o engenheiro. Se a potente caminhonetona do cidadão chega mole a 200 por hora, por que ele respeitaria o teto de 80? Só pelo medo da multa. O que agora não vai mais existir.

Quem defende o aviso prévio de radares não pode cobrar da polícia ações surpresa contra bandidos. O critério é o mesmo. O Estado avisando antes o cidadão que vai intervir ou fiscalizar. Um disparate completo.

Só toma multa quem quer. Seguindo as regras de trânsito, não há punição. Essa história de pegadinha ou indústria da multa é papinho furado de infrator contumaz.

Caiado presta um desserviço enorme à cidadania ao topar o populismo para tentar diminuir o desgaste com os servidores públicos.

Governador, não se apequene logo no início de seu mandato.

 

 

3 Comentários

  • Greiciane Luna disse:

    Sinceramente, muito me assusta esse tipo de atitude logo no início do mandato. Ele não é ingênuo, sabia muito bem a situação que estava o Estado quando assumiu. Tem que trabalhar, botar a cachola pra funcionar e pagar os servidores. Os mais suscetíveis a sofrer as consequências dessa ação absurda não são os donos das caminhonetes grandonas não, são os dos carros populares. Torcer pra nenhum pai de família morrer na estrada, deixando toda uma família desamparada.

  • Beluga Rosa disse:

    O grande problema que eu vejo é que no Brasil, os limites de velocidade são muito baixos – é como se pegasse a regra dos EUA e não houvesse feita a conversão de mp/h para km/h. Assim você agora viaja em trechos com uma alternância entre 80 e 110km/h, uma placa atrás da outra alternando os limites. Começa por aí deveria haver o aumento de limite para 160 km/h em trechos duplicados (Já que não estamos mais na década de 50) e padronizar GO e BRs em 120km/h (Que é o costumeiro de cada pessoa “normal”, não ultrapassar esta faixa) .

    “80 mph (129 km/h). Outros 20%, 90 mph (145 km/h). Os 10% restantes vão tranquilamente a 100 mph (160 km/h). Não há radares à vista. A regra de ouro é seguir o fluxo. Se alguém viaja muito acima, a patrulha rodoviária pode surgir do nada… Carros lentos (poucos) rodam pela esquerda e, não raramente, são ultrapassados pela direita, manobra permitida nos EUA, mas que motoristas europeus abominam, além de proibida…” – Veja mais em https://carros.uol.com.br/noticias/redacao/2011/02/08/diferencas-no-transito-de-brasil-e-eua-mostram-onde-erramos-fiat-e-gm-preparam-novidades.htm?cmpid=copiaecola

    • Greiciane Luna disse:

      Li seu comentário e concordo parcialmente. O detalhe é que não há como se comparar EUA e BR. Nós estamos caminhando pra aprender a usar SETA. Respeitar limites de velocidade sem fiscalização à vista??? Vai demorar um pouco pra isso ainda. 🙂

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