Se tem algo que a idade me ensinou é que não existe mágica quando a gente lida com dinheiro. Um mais um é dois. O Excel não mente. Para algo ser mais barato para alguém, outro vai ter que pagar a diferença. É aquele tal do não existe almoço grátis, lembra-se?

Nem sempre pensei assim. No movimento estudantil, durante o segundo grau, me engajei na luta pela meia-entrada estudantil. Fui em manifestações de rua. Tirei a carteirinha da Ubes assim que foi aprovado na Assembleia Legislativa de Goiás. Aproveitei bastante do direito que me foi garantido.

A idade e a experiência real das carteirinhas me fizeram rever de posicionamento. Eu estava errado. Eram tempos imberbes. O que aconteceu a partir da regulamentação da meia-entrada foi o aumento geral dos ingressos. Os preços de meia se transformaram no valor normal. E quem não tem carteirinha, agora, paga o dobro.

E veja, nobre leitor, que nem toquei ainda no absurdo das carteirinhas falsificadas. A gente sabe que qualquer um arruma um documento estudantil que lhe garante o direito mais fácil do que chama um táxi.

A meia-entrada era para ser algo interessante. A prática mostrou que seu objetivo não foi alcançado.

É exatamente isso que está acontecendo agora com a suspensão das taxas de conveniência para as vendas online. Parece algo que gera um benefício, mas o que acontecerá de verdade é que o valor será embutido no preço. Vai subir para todo mundo, até mesmo para quem compra o ingresso físico direto na bilheteria.

O site de vendas online tem que ganhar sua parte na comercialização do ingresso. Isso vai da negociação entre o produtor do evento e o responsável pela venda. O realizador precisa de X reais por ingresso para viabilizar o evento. Em cima disso, o site coloca sua porcentagem. Se a taxa não pode mais ser cobrada, de acordo com a decisão da Terceira Turma do STJ, o preço vai ficar mais salgado para todo mundo, inclusive para quem não faz uso da venda online.

O que o Brasil menos precisa é de soluções mal-ajambradas, que não toquem na essência real dos problemas e fiquem em sua superfície. Dão a impressão que resolvem alguma coisa, mas jogam a sujeira para debaixo do tapete. A suspensão das taxas de conveniências para vendas online é só mais uma dessas soluções tortas.

Um comentário

  • Flávio Rocha Ferreira disse:

    Em um primeiro momento eu achei o máximo. Eu poderia comprar o meu ingresso de cinema da mesa do meu trabalho e dar uma esticada após o expediente com uma poltrona excelente que. Pessoalmente, talvez não estivesse mais disponível. Mas, antes de ler o texto, eu pensei: o custo que eu tenho de ir e voltar de gasolina só para comprar o ingresso é maior ou menor que o custo no site? Algumas empresas são atrasadas. Cinemas principalmente deveriam a esta altura ter hospedagem própria. Mas e em shows? Talvez a mais “tchan” das soluções venha do rock in rio: envia a entrada pelo correio; o abada etc. E diga: se quiser ir na sede comprar é esse preço; se quiser comprar pela internet o custo é esse do site + esse do correio: pronto! Por culpa de uma gana de aplicar soluções sem argumentar porque ela é a mais prática (e não necessariamente a mais barata) hoje achamos um absurdo ter que pagar tais tarifas. A Uber entendeu isso muito bem em sua campanha “qual o peso de seu carro” aplicado a exaustão nas mídias.

Comente

X