Ando ouvindo muito REM de uns tempos pra cá. Do nada, tirei a poeira de dois vinis de minha estante e, atualmente, ambos estão em alta rotação na minha vitrola. Os culpados por eu redescobrir que amo o REM são o Document (1987) e o Green (1988). Dois discaços.

Minha relação com a banda norte-americana da Geórgia remete à pré-adolescência. The one I loveEverebody hurts,Shiny happy people e, claro, Losing mreligion eram incontornáveis por quem se interessava por pop-rock na virada dos 1980 para 1990. Mas as faixas não se destacavam aos meus ouvidos. Eram músicas que tocavam muito na rádio ou na MTV, eu gostava, mas não a ponto de me fazer querer ter um disco da banda. Entravam no balaio do que eu estava conhecendo naquele momento.

Poucos anos depois, namorei uma garota que tinha o CD do Monster. Ouvimos muito esse disco nas tardes que passávamos em sua casa. Um álbum com as guitarras na cara, denso, melancólico. Mais 1990, impossível. Ali, comecei a de fato me dizer fã da banda.

Em janeiro de 2001, estive na terceira edição do Rock in Rio. O REM era headline da noite de sábado, que ainda tinha em sua grade Foo Fighters e Beck. Que noite! O show do REM foi impecável. Era a primeira vez da banda no Brasil. Os caras estavam muito na pilha daquela apresentação. Não pouparam fôlego e nem hits. Michael Stipe, nitidamente animado por várias caipirinhas, esbanjava simpatia. Mesmo com todo meu cansaço, aproveitei o show que terminou com a icônica It’s the end of the world as we know it (and I feel fine).

A partir de então, acompanhei a banda disco a disco. Ouvi todos os lançamentos, até os caras pendurarem as chuteiras em 2011. Desde então, o REM caiu no meu esquecimento. Não mais havia voltado aos trabalhos da banda. Não teve um motivo específico. Só me dediquei a ouvir outras coisas.

Na primeira metade da década 2000, quando vinil valia menos que legume na xepa da feira, encontrei esses dois discos que agora escuto incessantemente em um sebo da Avenida Goiás, nas mãos de Romildo. Não paguei mais de cinco reais em cada.

As guitarras são muito bem encaixadas, o vocal transmite emoção no tom certo, a atmosfera lhe envolve. Dá para dançar, dá para viajar, dá para refletir. Mexe com a gente. O que a grande arte deve fazer. E quando falamos de REM, sim, estamos tratando de grande arte.

Um comentário

  • Carolina Castilho disse:

    R.E.M. Nunca deixou de ser uma das grandes bandas…Automatic for the People uns dos grandes álbuns de sua trajetória. Adoro
    toda percepção de Stipe.

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