Semana que vem já começa a intervenção que a Prefeitura de Goiânia fará no cruzamento da Rua 90 com a Avenida 136. As gerações mais novas talvez nem saibam que aquela praça, por anos, foi chamada de Praça da Apolo. No espaço onde hoje há um Banco Itaú e uma farmácia, foi montada uma baita loja de artigos esportivos, a Apolo. Daí vem esse apelido para a praça. Tempos depois, no ano 2000, instalou-se no cruzamento um relógio de contagem regressiva para os 500 anos do Brasil. Alguns chamam o espaço de Praça do Relógio, mas essa alcunha não pegou tão forte.

Tanto faz se você chama o espaço de Praça da Apolo, Praça do Relógio ou o que quer que seja. O fato é que aquele local é um cadáver insepulto.

Esse texto é um réquiem para a Praça da Apolo.

Mais uma vez, Goiânia vai matar um espaço público com a desculpa de que é preciso resolver o trânsito. Balela. Perdemos o local e o tráfego continuará péssimo. Os exemplos estão aí na cidade afora. Praça do Ratinho e Praça do Chafariz confirmam a inutilidade desse tipo de obra.

Nunca me esqueço de um artigo que o jornalista Antenor Pinheiro escreveu para o Jornal O Popular quando da intervenção da 85 com a T-63. Ele disse que um viaduto é a forma mais rápida de chegar ao próximo congestionamento. Síntese perfeita. Quem passa diariamente pela Praça do Chafariz, como é meu caso, sabe que o congestionamento ali não deixou de existir. Somente foi transferido para o cruzamento da T-63 com a T-4 e da 85 em frente ao campo do Goiás.

Viaduto é enxugar gelo. Não resolve nada.

O comércio da região da 90 com a 136 pode se preparar para a decadência. Vi isso de perto. Sou cria da parte baixa do Setor Aeroporto. Quando Pedro Wilson fez a trincheira da Independência com a República do Líbano, matou tudo ali em volta. A região até hoje não se recuperou. O baque, embora em menor grau, também foi sentido pelos comerciantes da Praça do Chafariz e da Praça do Ratinho.

A verdade é que o prefeito Iris Rezende é deslocado de nosso tempo. Ele é um típico agente público do século XX. Antiquado, ainda enxerga o carro como motor principal de uma cidade. Com essa concepção, compreende o viaduto como solução. Está errado. Esse tipo de obra é incapaz de solucionar o problema da mobilidade de Goiânia do século XXI.

Não há solução fora do transporte público de qualidade. Digno, pontual, confortável e seguro. Sem isso, tudo se resume em obra gigantesca para encher bolso de empreiteiro. Como efeito colateral, morre o comércio da região e congestionamentos são espalhados pelos cruzamentos ao redor do ponto de intervenção

Nosso gestor municipal vive no passado. E quem perde é o futuro de Goiânia.

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