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Reza a lenda que foi Napoleão Bonaparte que, definindo o perfil dos seus comandados nas tropas francesas, teria afirmado que o tipo mais pernicioso de todos é o idiota com iniciativa. Faz todo sentido.

O idiota sem iniciativa não oferece risco nenhum. Sua burrice o envolve de tal forma, sua incapacidade de ação é tamanha, sua leitura equivocada de mundo é tão grande que ele fica na dele. Só sendo o que é: um paspalho.

O idiota com iniciativa, por sua vez, é problema de montão. Elabora planos para fazer o errado. Planeja o equívoco. Tem método. Erra na leitura dos dados e age de forma precipitada. A prática que brota da idiotia é de gravidade ímpar.

E o Brasil de hoje é governado por um time inacreditável de idiotas com iniciativa. Veja o caso do Ministério da Educação. Ricardo Vélez Rodríguez é o melhor exemplo do idiota sem iniciativa. Sua completa falta de competência para fazer o errado o impedia de tocar adiante a destruição da educação brasileira. Inapetência é seu nome. Por isso, foi demitido.

Contudo, esse não é o caso de Abraham Weintraub. Esse é perigoso. Trata-se de um perfeito idiota com iniciativa. Não vou pegar no pé do cara por causa de sua confusão entre Franz Kafka e a kafta, prato árabe que adoro. Faço rádio ao vivo há anos e sei que, eventualmente, nos confundimos e sai algo errado de nossas bocas.

O cara estava submetido a um ambiente de pressão, há horas sendo questionado por parlamentares e, naquela circunstância, pode ter trocado as bolas. Darei ao ministro o benefício da dúvida: quero crer que ele sabe quem é Kafka e se confundiu ao falar.

Já não dá para ser tão generoso assim no caso dos bombons. A patética tentativa de explicar os cortes da Educação com chocolates explicitou o tamanho de sua cretinice. Veja bem, eu sou de Humanas. Não tive sólida formação universitária com números. Mas porcentagem é algo tão elementar em nossas vidas que, até mesmo para os formados de Humanas, dá para perceber que 3% é diferente de 30%. Fácil. Veja a gravidade da coisa, nobre leitor: estamos falando de um economista. Percentual é o arroz com feijão mais básico de sua formação. Errar isso é infinitamente mais revelador do que errar o nome de Kafka.

Parece que o péssimo currículo escolar de Weintraub não foi por conta de problemas familiares e pessoais, como o mesmo alegou. Sua formação intelectual como economista é mesmo deprimente. E ele só ocupa o cargo em que está por ser um perfeito idiota com iniciativa.

Estamos bem.

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