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Por razões profissionais, tenho lido, ouvido muitos podcasts, assistido vídeos que abordam finanças pessoais e empreendedorismo. Um projeto que estou participando, e que talvez venha a público em breve, fez com que me debruçasse sobre o assunto.

Estou de cara com esse universo que me é inteiramente novo.

Nunca imaginei tanto ânimo no discurso como dessa galera que incentiva os outros a empreenderem. Nunca imaginei tantas palavras de entusiasmo. Nunca imaginei tanta fé na vida. Os caras parecem pastores de igrejas neopentecostais.

Se ainda não existe, fica a dica: quem formar a A Igreja Universal do Empreendedorismo do Sétimo Dia fica rico.

E eu, tadinho, que no meu estado senil achava que já tinha visto de tudo na vida… Não existe tempo ruim para um palestrante, que agora é chamado de, veja só você, coach, do empreendedorismo.

Se você quebrou, junte os cacos. Siga adiante. Nunca desista. Aprenda sempre. Você é bom em algo. Aposte em seu potencial. Acorde de madrugada. Vença seu oponente. Você vai dar certo na vida. Se ainda não deu, é por que ainda não chegou sua hora.

O discurso dinheirista me dá no saco desde que eu me entendo por gente. Seja do coach do empreendedorismo, seja do líder religioso. Meu talento para ser pobre é nato. E não vai ser um garoto de barbinha feita com sotaque paulistano ou um cara suado, com paletó ensebado e a Bíblia na mão que vão mudar meu destino de ser um orgulhoso proletário pau-mandado.

Quem nasceu para CLT nunca vai ser gestor de startup. Nem CEO de porra nenhuma. Por isso estou sem paciência com essa galerinha Faria Lima.

Mas preciso reconhecer que os caras são bons de lábia. Falam bem. Vendem um sonho para quem precisa. Isso exige talento. E, se tem gente a fim de comprar passarinho voando, tudo certo. Cada um sabe o que faz com seu orçamento e tempo livre.

O que sei é que se não fosse por trabalho, não perderia um minuto sequer com o papinho dessa rapaziada. Mas, sabe como é, por dinheiro eu ando fazendo cada coisa que envergonha… Até mesmo acompanhar o universo dos pastores do empreendedorismo.

Acho que tal qual o Brasil, como bem disse o ministro Paulo Guedes, cheguei no fundo do poço.

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