Se você entender o tempo da bola vai ser bom no basquete”.

Essas foram as palavras do meu professor Augusto. Depois de uns dois meses de aula, ele me chamou para uma conversa depois do treino. E proferiu tal sentença que nunca mais saiu de minha cabeça.

Eu tinha 12 anos e fazia aula de basquete na Praça de Esportes do Setor dos Funcionários. Para os jovens, é aquele espaço que fica aos fundos do Cais de Campinas. Ele viu potencial no meu perfil físico para aquele esporte e resolveu me dar umas dicas.

Começou me elogiando. Alto, magro, boa impulsão, envergadura e alguma explosão para puxar contra-ataques que terminavam em bandejas certeiras. Claro que eu não sabia o significado de todas palavras, mas, se minha memória não estiver me traindo, e é provável que esteja, entendi o tom positivo. Foi mais ou menos por aí o início do papo. Mas ele via um sério defeito quando eu estava no garrafão. Era muito afoito e não esperava o tempo certo para saltar. Perdia rebotes, não dava os tocos que minha impulsão permitia e não desenvolvia todo meu potencial.

Ele estava certo. Quando comecei a me atentar ao tempo da bola, melhorei muito minha performance. Basquete foi o esporte, dos vários que tentei na adolescência, em que me dei melhor.

Mais do que melhorar meu rendimento como atleta aprendiz, o professor me ensinou algo que ainda carrego comigo. Tudo tem sua cadência, tudo tem seu tempo. A bola, quando bate no aro, sobe e desce. Entender isso determina seu sucesso no rebote do basquete. Mas não só ali. Também na vida.

Veja o caso da Lava Jato. Ela tinha o tempo de bola da política brasileira. Cadenciava o jogo. Dava as cartas na dinâmica do noticiário. A operação tinha total controle do processo. Não é pouca coisa. É ser dono da jogada. Isso se chama poder.

Com a revelação das mensagens que o Intercept Brasil teve acesso, o jogo mudou. A Vaza Jato inverteu essa lógica. A Lava Jato dominava a pauta da opinião pública desde 2014. Agora está na defensiva. O tempo da bola está com os jornalistas do site de Gleen Greenwald. A cadência é de sua equipe. A dinâmica está em suas mãos.

Usei o exemplo do basquete por conta de minha experiência pessoal, mas a metáfora também poderia ser dada por meio do futebol americano. Só tem possibilidade de marcar pontos quem tem a posse da bola oval. Ao time adversário, cabe a defesa. No momento, a bola para tentar o touchdown é do Intercept.

Saber cadenciar é saber viver. A Lava Jato soube cadenciar perfeitamente o jogo nos últimos cinco anos. Nas últimas três semanas, a Vaza Jato mostrou a mesma virtude. Veremos até quando eles terão o tempo de bola certo para continuar pautando a opinião pública brasileira.

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