OpiniãoOQRTendência Pablo Kossa

Os problemas sob minha alçada e os problemas sob alçada de todos

23 de agosto de 2019 2 Comentários

A Amazônia está queimando.

É provável que o aquecimento global já tenha atingido um ponto sem volta.

A humanidade toma providências num ritmo muito aquém da urgência imposta.

Estamos caminhando com afinco para deixarmos a vida na Terra um inferno, se é que ainda será possível existir vida por essas plagas.

Eu olho as manchetes no jornal que deprimem qualquer um com pelo menos dois neurônios (grupo no qual o presidente evidentemente não se encontra). Vem aquela bad sem tamanho. Mas é necessário manter a serenidade. Cuidar da própria sanidade é responsabilidade individual. Tento preservar a minha.

Dou mais um gole de café e respiro fundo. Vejo na agenda que minha conta de celular vence hoje. Esse sim é um problema que tenho que resolver. Só cabe a mim. E virar o dinheiro para pagar a tonelada de boletos que se acumulam não está moleza, sei que você sabe disso. Priorize as prioridades, aprendi com Bnegão.

Mas a coisa é mais complexa. Só é possível focar nos problemas que estão exclusivamente sob minha alçada se os problemas que estão sob a alçada de todos nós estiverem com a solução minimamente encaminhada. O que não é o caso.

Do que adianta corrermos como loucos das seis da manhã até dez da noite, cuidarmos da saúde com exercícios físicos, tentar comer de forma mais saudável, passarmos preceitos éticos e morais para nossa prole, torcer para que nosso time vença o próximo campeonato, agendarmos a viagem inesquecível de verão, sonharmos com a reforma da casa, planejarmos a aposentadoria ideal com uma poupança e todos os outros objetivos de longo prazo se a chance do planeta sucumbir é mais que real?

Preciso solucionar os problemas que estão sob minha alçada, mas sempre com um olho nos que são responsabilidade coletiva. É horrível depender tanto assim de quem não se preocupa tanto quanto eu.

Greta Thunberg se tornou personalidade mundial por conta dessa reflexão. Não faria o mesmo. Meu pragmatismo e bundamolismo me impedem. Mas ela colocou uma pulga atrás da orelha de todos. Que seu exemplo ajude a criar algum juízo em quem ainda não se tocou do tamanho do problema. Começando pelo coprófago do Palácio do Planalto.

2 Comentários

  • Glauco disse:

    Pablo,

    realmente não é fácil viver atento ao meu “CPF” colaborando com um “CNPJ” global. É uma luta que vai durar até o último suspiro de quem se preocupa com a coletividade.

    Aquecimento global é uma treta desde que foi constatado / descoberto / discutido, se ele é cíclico ou não, se depende ou não da nossa ação e uso do planeta. Independente do consenso do Aquecimento Global, somos “acionistas”, sem voto “minerva”, mas participantes. É um problema também meu, que não consigo resolver, como o quitar de um boleto. mas tem uma parcela dessa história que cabe a nós. Não há consenso quando se discute como é que o planeta foi criado, mas é consenso que colaboramos com o futuro a partir do momento que somos “bons mordomos desse buteco que agente vive”.

    Nós pagadores de boleto não temos potencial pra reduzir X% das emissões de carbono do globo, mas quando conseguimos conciliar a jornada familiar com menos veículos, economizamos água e energia, evitamos descartáveis, se temos acesso, optamos por energias renováveis, nos já colaboramos. Agora, com nossos filhos, o potencial é outro, exponencialmente maior. Quando a gente ensina bons princípios pra nossa prole, a gente pode colocar no pacote um “Q” de cuidado com o águas, plantas, uso racional da água, consumo consciente, que junto ao nosso exemplo, conseguimos mostrar pra eles uma possibilidade de serem agentes “locais” de mudança, que pode começar pelo quintal, a quadra, o bairro, a escola e por aí vai.

    Lá na frente, o planeta pode até sucumbir, mas a gente vai de consciência tranquila e certo que esse CPF foi “grande”!

    • Pablo Kossa disse:

      Belíssima reflexão, Glauco. Você ressaltou pontos essenciais. Muito obrigado pela leitura e disposição de compartilhar seu conhecimento. Valeu mesmo!

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