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Bolsonaro decidiu ir pra briga

24 de abril de 2020 Nenhum Comentário

Que dia louco foi essa sexta, hein? Triste termos que falar de política quando chegamos ao nefasto número de 3.670 mortes e 52.995 contaminados pelo maldito coronavírus. Minhas condolências às famílias que choram seus entes queridos. Meus sinceros sentimentos. Não se trata de insensibilidade, mas a realidade se impõe.

 

O grande assunto foi o rompimento definitivo do ex-ministro Sérgio Moro e o presidente Jair Bolsonaro.

 

A coisa não vinha rolando direito desde o ano passado. A sequência de desgastes não permitia mais a convivência pacífica. E Moro cansou de ser desautorizado. Compreendeu que sua respeitabilidade, cada vez mais apequenada por passar pano para o comportamento do presidente, estava em xeque. Pediu demissão atirando. Acusou o presidente de querer colocar um cabresto na Polícia Federal. Afirmou que Bolsonaro comete crimes ao desejar interferir na independência da instituição.

 

O presidente não se fez de rogado e dobrou a aposta. Para o bolsonarismo, a defesa é sempre o ataque. E quando mais desvairado, melhor. No discurso do final da tarde, ele se esforçou para tocar o coração do bolsonarista true. Já que perdeu o lavajatista, agora ele precisa, mais do que nunca, daqueles que estavam com ele quando lotava aeroportos Brasil afora e Moro o desprezava em um desses mesmos aeroportos.

 

Disse que o paranaense é desarmamentista. Que ele quis negociar a troca do diretor-geral da Polícia Federal por uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Apontou que Moro almejou trazer para o governo uma especialista em segurança pública que defende a legalização do aborto. Voltou àquela história que diz tanto ao coração do bolsonarista lunático do complô da facada. Afirmou que a Polícia Federal priorizou investigar o caso Marielle Franco em detrimento do seu. Um rol imenso de argumentos que são caros aos mais engajados no bolsonarismo.

 

Detalhes bem relevantes: hora alguma retrucou a questão do envolvimento dos filhos nas investigações da CPMI das Fake News; não abordou o financiamento das manifestações golpistas que pediram o fechamento do Congresso Nacional e do STF, que teriam as digitais de empresários bolsonaristas.

 

Moro sabe lidar com poderosos. Ajudou a derrubar uma presidente quando divulgou um áudio ilegal. Colocou outro na cadeia. Será que alguém que ficou 22 anos como magistrado faria essas sérias acusações sem provas? Bolsonaro fez uma aposta arriscada. Os dados estão rolando. Aguardemos que número vai apontar quando eles pararem de quicar no tecido verde da mesa do cassino de Brasília.

 

Pablo Kossa é jornalista, produtor cultural e mestre em comunicação pela Universidade Federal de Goiás

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