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Terminei de ver 30 Rock e toda série que encerro deixa uma melancolia no ar

5 de maio de 2020 Nenhum Comentário

Depois de sete temporadas e várias horas dedicadas àquele universo, terminei de ver 30 Rock. No último final de semana, matei o 13º episódio que finda a temporada derradeira. Sempre fica uma tristeza no ar quando a gente encerra uma série. Sinto isso todas as vezes. Você também?

 

Fiquei uns três ou quatro anos inserido naquele cenário nova-iorquino, com aqueles personagens, envolto naquele tipo de humor que tanto me agrada. Sim, demorei esse tantão para ver uma série que se encerrou no já longínquo 2013.

 

Em tempos de maratonas frenéticas em reclusão social por conta da maldita covid-19, talvez você se assuste com esse tempo todo. Compreendo.

 

Não sou do tipo que maratona séries. Não é pra mim. Nunca consegui emendar e assistir a dois filmes seguidos. Nem nos áureos tempos da fita VHS da locadora que pagávamos por mês e eu tinha um milésimo das responsabilidades que hoje tenho, eu conseguia. Ficar direto por tanto tempo em frente da televisão (ou tablet, ou celular, ou computador) me cansa. Por isso que vou consumindo as séries aos poucos, dois ou três episódios por semana, quando muito.

 

Vou devagar conhecendo os personagens, me afeiçoando a eles, entrando em seus dramas, criando empatia com suas decisões, puto com as ratas. Como acontece em toda série.

 

Se você não sabe do que se trata, 30 Rock é ambientada em Nova Iorque. A protagonista Liz Lemon é interpretada por Tina Fey, que também é a roteirista do programa. Lemon é a diretora de um show de TV que emula o Saturday Night Live. Seu contraponto perfeito é o diretor-executivo da emissora Jack Donaghy. Interpretado por Alec Baldwin, o personagem compartilha com Lemon os melhores momentos da série. Ele, republicano e workaholic. Ela, típica liberal de Manhattan. A tensão e amizade entre eles garante o humor da série.

 

Ao fim de 30 Rock, uma certeza: Tina Fey é incrivelmente talentosa. A anti-heroína perfeita para gente como eu, de Humanas, metido a intelectual, meio de esquerda, meio que quer mudar o mundo do sofá mas com preguiça em demasia para tanto. Seu carisma contagia. Tanta inteligência aliada à sua presença desleixada lhe conferem um charme único. Quem falou que inteligência não é sexy? Só um estúpido, evidentemente. Sim, Tina Fey é incrivelmente sexy. Inteligentemente sexy. E quem não cai de quatro quando topa alguém assim? Só um estúpido, evidentemente.

 

O problema é que esses bons momentos acabam quando a série que a gente gosta termina. Já criamos afeto para com pelos personagens, já sabemos suas preferências, suas histórias e reações já nos garantem conforto e, de repente, tudo se esvai. Só a melancolia fica enquanto assistimos os créditos daquela série pela última vez.

 

Se você gosta de humor cheio de referências, que instiga seu cérebro a procurar o porquê de cada piada, 30 Rock é altamente recomendável. Me garantiu horas e horas de diversão. Certamente fará o mesmo por você.

 

Pablo Kossa é jornalista, produtor cultural e mestre em comunicação pela Universidade Federal de Goiás

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